segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

verde cana.

Tão verde e tão morta.
Tão verde e tão obstinada
A servidão do sistema.

O mesmo que serve 
No copo gelado,
Mata o trabalhador
No solo quente.

O mesmo tom que afoga
 Minha alma, 
Sobe, rumo ao céu,
Irradiando escuridão.

Adoça,
 Minha boca com o seu pecado.
Afoga,
Minha magoa com o seu destilado.

sábado, 22 de dezembro de 2012

la muerte joven.

Después de ti,
Deja me sucumbi a una muerte  profunda.
No puedo respirar, ver, ni sentir.
Escucho un zumbido frenético 
Y mi corazón se comprime dentro de mi cuerpo.

Mátame,

pero no me dejes ver tu sonrisa
por otra mujer.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Tripas com vinho.

Cabe no coração do homem 
Tamanho amor?
Para que amares tanto se,
 O que nos restas são sobras lacradas de 
Vermes que pulsam por misericórdia
Pela carência?
Engole minha alma pecadora e veja-a 
Apodrecer no seu músculo cardíaco.

Justifiquei com tantas palavras pomposas 
O amor que, um dia jurei ser eterno.
É difícil procurar um termo
 No vocabulário para alcançar 
O repúdio que sinto.

Para que, céus, 
Amarei sem ser amada? 
Apunhalada, 
Vejo seu corpo se despir para outra. 
Vejo seus olhos, que não me pertencem e
 Quiçá na sua história me pertenceram

Arranca-me as tripas e
 As sirva com um vinho seco 
Para a sua amante,
 Que hoje não estou para você.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

fundo do poço.

Resolvi escrever para não ousar pegar o telefone e te ligar. 
ps: preciso parar de beber desse jeito. 
Amanhã eu paro.
ps2: Já passou da meia-noite.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

mo-rrrrrrrrrrrrrrr-te,

Olhar e não te ver, lembrar e nunca mais sentir.
Sentir e saber que sente, sem a loucura permitir.
Falar, sem proferir o que se quer dizer.
Morrer por dentro sem jamais conseguir.
Amar e não ser amado.
Afogando num oceano sem volta, tentando alcançar com as mãos o inalcançável.
Olhar e não me ver.
Amar e não sentir.
Proferir e não ser amado.
Afogar na loucura e morrer.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

coisa.

Estou fumando para lembrar de beber, 
Te esquecer e achar
 Na loucura mais insana 
Nas outras pessoas, 
O seu olhar.

Estou beijando outro para tentar 
Não me envolver e deixar 
Que isso volte a acontecer.
Mas e esse destino
 Que prega peça sem parar? 
Na barba alheia tento roçar
 Para na mesma sensação me consolar.
Eu ri e virei outro copo. 
As conversas cultas alheias 
Me deixam entediada, 
Bocejo ao descaso
 Dos outros.
Arte? Escancaradas risadas eu dou para o Conceito impregnado 
Pelo seu conservadorismo.
Volto a barba,
 Fecho os olhos para em vão
 Imaginar que você esta ali. 
Escalando no invisível da alma calada, guardando lagrimas 
E revelando minha outra face: sorrio.
 Nunca te trai. 
Só estou me traindo para me encontrar.
Me traindo por uma fumaça.
Procurando em outras transas,
 Em outras ideologias. 
Em outros cigarros,
Outros cigarros, 
Outros beijos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

dois, um, dois.

A brisa moldava
 O balanço do tecido 
Transparente que ousava 
Sair do seu corpo pequenino. 
O esmalte vermelho pulsava
 Em contraste com o verde vivo
 Da grama que roçava nos seus pés.

Na luta entre o querer e
Deixar de querer.
Mãos permanecem unidas, 
Untadas na demência da paixão.
Um grito do delírio ecoa
Na alma daquele que não tem
 Medo do não.


Então o vão dos seus dedos 
Iam passando vagarosamente. 
Num rompante, 
Usa da forca para puxa-los
 Ao seu afago. 
Dois, um e o beijo.
 Os seus lábios 
 Macios encostaram 
Tão vagarosamente que se conseguia
 Sentir a vibração 
Frenética da respiração.

 Os pés numero 35,
De prazer, ficaram-se na terra,
 Enquanto sua boca 
Salivava por mais, e mais.
 Seu vestido se abriu 
Como asas de um anjo e
 Deslizou no seu corpo. 

E seus seios tão simétricos,
Juntam-se aos lábios estranhos. 
Descarado momento em que 
A loucura não foi o suficiente 
Para se entregar.
Brigou, fugiu e chorou.
Dois.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

obscena.

 Não demora muito para fazer o que deseja: vai até sua bolsa e pega mais um cigarro. Ela anda fumando coisas diferentes. Logo logo o borborinho da sua mente alcança um estágio ignóbil. Ana acha que sente sede, mas é só o seu corpo pedindo outra dose.
 Exala sexualidade até no modo como anda, no movimento dos seus lábios e na risada idiota. Recusa-se ir ao bar tão cedo. Por uma infíma fração de tempo pensa que um banho seria a melhor opção para tirar a sujeira dos pensamentos mais sórdidos que cravam em sua mente: Depois de tanto exitar nossa querida Aninha precisa de sexo.
Adivinha onde ela está? Sim, meu caro leitor: no bar.
Ana não sabe, mas onde passa chama atenção. Talvez seja o seu jeito desligado e o inconfundível modo espalhafatoso. Mas eu ainda acho que são os belos seios e como ela insiste com os decotes. Mas não se enganem. No fundo, mas bem lá no fundo do quer um namorado.
Seu olhar se afrouxa por uns instantes e sua voz aumenta- ah, o efeito do álcool.
Os olhos percorrem o salão e estacionam descaradamente nos de outro cidadão. Não se importa e continua analisar. Seu cabelo bagunçado castanho, a barba mal feita,  sorriso bobo, a língua passando instigante entre os dentes, suas mãos segurando com força na lata de cerveja. Ali estava seu alvo, no canto, sozinho e estranhamente misterioso. Num rompante psicodélico e sem lógica alguma pensou como ele poderia ser incrível. E um desejo maluco tomou conta da sua cabecinha desnorteada que trabalhava incessantemente    procurando uma maneira de chamar sua atenção. Não precisava de muito, apenas algumas trocas de olhares. Seu nome era Caio. Já trocavam meadas palavras, o bastante para fomentar a sua curiosidade. Por fim, a tão esperada sugestão da carona foi feita. 
Saiu da mesa tentando não mostrar o quão afetada estava pela vodca barata. Com um pé de cada vez, sorrindo como besta entrando no carro. Nem sentiu o gosto do beijo e já gostava. No caminho os dois acenderam um cigarro. Percebia-se facilmente a calma dele em paradoxo com o nervosismo que era refletido nas mãos trêmulas dela.
Caio parou o carro com destreza e abriu a porta direita do carro. Pobre Ana, saiu sem delicadeza alguma, era só uma garotinha perdida tentando sem encontrar em um copo de vodka. Bastou entrarem no elevador para o beijo acontecer e acreditem, era como ela imaginava. Entrou na sua casa sem pedir e hesitar. Tropeçando entre taças e livros o moralismo se extinguiu e o universo conspirava a favor dos dois desconhecidos. O toque forte e a roupa deslizando para fora do corpo. A língua que se embebedava dos seus seios. Entre sorrateiros passeios das mãos pelo seu corpo, descobrindo as loucuras do prazer do tato. Era o êxtase vindo em movimentos sempre sedentos por mais, Ana sempre quer mais. Iam despidos de pudor, como animais curiosos com o delírio do sexo. Na bagunça da cama, se perderam entre pernas e braços. O suor escorria ligeiro pelas curvas enquanto elas se encontravam. Posterior a euforia, se encaravam com a respiração impregnada com resquício da ação sofrida, ofegante. Ana prefere olhar para o teto, fecha os olhos e o abraça forte.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ela tenta, mas acaba no bar.

Ana saiu para ir ao psicólogo, decidiu mudar de vida. Tagarelou mas não receitaram nenhum remédio, para o seu espanto. Achou que uma dose de conhaque resolveria.
Aninha contava num to cômico a um desconhecido que dava mais atenção os seus seios fartos embutido num decote sagaz: 'E fica aqui ao lado!' Dizia repetidas vezes até ele cair na gargalhada. O homem era um completo imbecil, ela não liga, precisa de ouvinte assim.
E ri por dentro:
Aninha quer uma namorada,
mas prefere acender um cigarro.

No bar.

Seu nome é Ana. A Aninha, Aninha cachaça. 
Ana adora cheiro de bar, do cigarro fedido. Está sozinha, gosta assim. Escolhe o lugar com seu olhar blasé: o balcão, apoia-se e devora o cardápio. Pensa nela, respira fundo e se afoga numa dose.
Estende seu copo e pede mais uma.
Entre notas amassadas abre a sua bolsinha e procura incessantemente por um cigarro.
Deixa-o vermelho e ali a brasa alimenta sua solidão.




domingo, 19 de agosto de 2012

eu te amo.

Não é o álcool que está no meu sangue que me motiva intensamente a proferir tão delicadas palavras. 
Se eu escrevo, não sinto medo. Não posso permitir tal sentimento que acolhe  a covardia humana.
O amar pede o não entender, se entendêssemos cairíamos num oceano da racionalidade e para mim, isso não convém.
Jamais tente procurar alguma definição mesquinha sobre o significado do amor. Nos polpe de tamanha loucura, sinta.
Ah, como suas mãos são lindas, a extensão do seu espírito e amor a vida. Me toca, me sente, me aperta e me acolhe.
Me prende, me segura e me solta.
Prende, segura e solta.
Quero viver solta no aperto entre seus braços,  quero te ver livre e meu.
Não quero nada pela metade, quero você por inteiro, picado em pequenas porções comestíveis de amor.
Deixe-me deliciar com você.
Quero de entrada o seu corpo mas como prato principal exijo seu coração.
Eu te amo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

toda sua.

Suas mãos apertam
deslizam por toda a carne.
Seus olhos se alimentam
Das minhas curvas.
Agarra meu cabelo me perpetuando 
               como sua.

Sua língua se esvai
Da minha boca e desce
Entre meu mamilo e meu ventre.
E ali me beija tão vorazmente
Que a loucura me faz
Gemer de prazer.

                  Goza no meu peito
Que te afaga.
Devora do meu corpo
Que te espera.
Respira da minha pele
Que exala
O desejo que por ti
Me inebria.


pintura: Matheus Arcaro.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

seu seu seu, tudo meu.

Acordo na minha cama, 
escovo os meus dentes 
com a minha pasta dental, 
arrumo meu cabelo e visto meu uniforme, 
um status da moda, 
exatamente como a sociedade deseja. 
Sim, senhor.

Tomo o meu café, 
meu único vício permitido. 
Com o meu pincel desenho a máscara que disfarça o meu tédio 
e claro, um perfume: importado 
(Eles disseram que seria melhor). 
Maquinalmente sorrio 
e vou para a minha escola.
Desculpa, senhor. Sim, senhor.

No meu almoço pego o meu dinheiro, 
Pago o meu lanche, 
minhas fritas e minha coca-cola, 
pego a minha bandeja que 
cabe perfeitamente em uma mesa, 
feita exatamente para mim e mais ninguém. 
Não preciso de alguém.

Nhac, nhac, nhac 
Vou mastigando e me devorando.  
Olhar para o lado? pensar?
 Ah, para que? Bobagem,
"O importante é ser feliz!"

domingo, 22 de julho de 2012

SOS

Posso estar agora ao seu lado mas o silêncio é tudo que me resta. Silêncio que esfria e sufoca.
Por que tinha que ser assim?

sábado, 7 de julho de 2012

escravo livre da paixão.

O tempo é indefinidamente cruel. Sem
controle, perdemos a razão, a loucura
vem e nos envolve. 
Pensei que depois de algum tempo você

seria 
aquele que pensei conhecer, mas pensei em vão. 
Antes que qualquer julgamento aqui feito 
espero que entenda que estou dopada por algum 
tipo de droga. Não as conhecidas pela ciência, mas a mais devastadora
de todas, que destrói não só o músculo cardíaco, mas a alma.
De que adianta enfeitar com as mais pomposas palavras e rimas se o que realmente acontece é o descaso de tudo isso?

O amar é sinônimo de sofrer. E se a sofreguidão é tamanha que não se pode aguentar, cabe a você decidir se é amor ou 
obsessão.
O amor, se é que existe, cismou que eu deveria adotá-lo. Ah, beijo de Judas me apunhalou pelas costas e eu sem saber deixe-me beber desse veneno que exalava da sua boca.
Hipnotizada pelos seus movimentos, era a morte vindo me buscar. Já havia perdido o jogo que envolve toda essa babaquice de sentimentalismo barato.
Mas o que seria do homem então se somos apenas escravos livres da paixão?

terça-feira, 3 de julho de 2012

assim.

Sinto como se um tornado de sentimentos invadisse a minha cabeça e domasse meu coração. 
Sinto como se tivesse visto seu rosto pela primeira vez- e como era bonito!
Vi a verdade saltar dos seus olhos e a dor transparecer nas palavras, um sorriso cheio de sinceridade e carinho.
Vi sua máscara cair e nunca mais precisar se esconder.
Não precisei tocá-lo para entender o quanto desejo.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

amor é patético.

Dói mais que ferida na pele, arde, corrói, estupra meus sentidos.
Me sinto suja, asquerosa. 
Ação fingida, seu amor fingido. 
Sua cara é uma máscara que tenta me enfeitiçar 

Maldito!
Desejo apenas o mesmo para você.
Meus olhos continuam a derrubar lágrimas e eu  nem sei mais o porque.
Jurei pelos Deuses que um dia jogaram sua ira sobre Grécia que jamais voltaria para o enlaço dos seus braços.

Se são os seus olhos que me tenta, por favor,
por hoje vire sua face quando passar.
Ai, o sofrer por amor:
patético.

terça-feira, 19 de junho de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

mentirinha.

Acendo um cigarro. Meu corpo anestesia da agitação sofrida anteriormente. A seda queima e em pouco tempo cheiro inebriante se espalha entre quatro paredes. A fumaça que agora cobre seu rosto não cobre a dor da verdade que esconde de mim. 
Arranco a sua roupa, agarro no seu cabelo, machuco e excito a sua pele, que arrepia. Enquanto a sua mão se faz de sutiã, enquanto seu corpo na inércia vai diminuindo a frequência da respiração. 
Meus olhos entregam-se apenas na função de te adorar. Mas não sei o que vejo, eu não reconheço seus traços, nem ao menos seu jeito.
Palavras vazias de sentimentalismo são proferidas com o passar dos ponteiros do relógio. 
Meu querido não imagina como a fumaça o transforma. Talvez me modificasse também. Ela queima e meu cérebro continua a se expandir. Ao invés de escapar do buraco como você, ele aparece sorrateiro. Afinal, pensar é quase sinônimo de sofrer.
Será que é necessário fugir para me encontrar?
Será que é necessário fugir para se encontrar?
A fagulha ainda continua a obstruir a droga até seu corpo se satisfazer completamente. Apaga o fogo com o mesmo que o deu vida.
Involuntariamente meu corpo pede o seu, minha boca formigando descobre a sua.
E tudo se repete: 
O trago é o comburente da nossa paixão.
Abro meus braços para seu descanso, aconchego meu coração para te ninar.
Deixa eu cuidar de você, vai.
Mesmo na mentira resta algum amor?
Será que de tanto omitir, o que sobra é a verdade?
O mal de gostar tão cegamente pode ser a única forma de sobreviver. 
Engana-me e eu finjo que não sei.
Ao olhar-me no espelho, sóbria, tenho repúdio pelo que vejo: uma sombra- tolinha. 
Amo-te? Não sei se amo porque desconheço o que é amar. Porém, morro de desejo, ao descaso do meu próprio ser.

sábado, 16 de junho de 2012

reféns da própria criação.

Fazemos parte de um mundo paralelo que devora a realidade que se conhecia. Em passos enlaçados pelo silêncio, essa nova geração vem modificando as formas de convivência e até necessidades. Pioneira no quesito tecnológico acaba destruindo as ligações com o próximo pela preferência da palavra digitada e não pronunciada. 
A busca persistente pelo "novo" transforma a necessidade do jovem pelo estudo. E nessa sede de aprender, fomentada pelo capitalismo os deixa previsíveis e individualistas, em sua maioria. Nessa adequação atual torna-se difícil a sensibilidade na vertente ambiental e ética. Todos os valores se transformam de maneira significativa, o certo e o errado se perdeu na loucura do homem.
O contentamento  se torna inexistente mesmo no emocional. Casos de depressão são cada vez mais evidentes como os de suicídio. Nesse borbulho da gênese de uma nova forma de visão muitos enlouquecem nas suas próprias ganâncias imensuráveis. 
Escondem-se em máscaras para melhor adaptação nessa selva de interesses individuais, com o olhar  imerso no insensível da simplicidade. Não, eles não parariam nossos motores cerebrais para dar devida atenção a "musica do vento", muito menos a beleza da "explosão da semente sob o chão", ha maiores preocupações - quanta banalidade.
Contudo, seguimos assim, reféns da nossa própria criação. Soldados marchando pelo desejo inconstante do que não temos, do que não vimos. Como corrobora Bertolt Bretch, acabamos no anseio de alguma mudança ou compaixão pelos que virão depois de nós.

terça-feira, 5 de junho de 2012

silêncio.

Tem mais poder que queria sobre mim. 

vermelha como sangue.

No peito da camisa carrega
A força de uma revolução.
Vermelha, como o sangue
Perdido para dar 
vida a liberdade.
Possui uma vontade
Distinta de qualquer realidade
Oprimida pelo não.

No peito da camisa carrega
A dor de uma paixão
Da rebeldia insensata do
Poder da nação.
Mesmo no momento da opressão,
Não nega o vinho, 
Muito menos o pão.

A ferida causada pela tortura
Não dói na pele,
Mas arde no coração.
Ardência de dar medo no patrão que
Insiste em não pedir
Perdão pela intromissão.


(para um anônimo que observei no aeroporto com uma camisa vermelha do Che)

terça-feira, 22 de maio de 2012

contentamento.

Não, ela não esta morta. Por mais que não queira as veias ainda continuam a pulsar o sangue frio.
Tem medo de viver, de amar e sofrer, medo de acreditar e se envolver.
Tem medo de ser, ou melhor, não ser.
No mundo escuro, onde fantasmas a atormenta e o bicho-papão segue rindo das suas trapalhadas.
Mas ela vive.
De tempos em tempos há luz no seu mundo e a esperança volta a desabrochar. O cheiro pútrido se esvai. Ela se joga, joga tanto que afoga e cai.
Ela quer perecer, não é bom o suficiente: somente uma luz ofuscada pela grande estrela.
Quer respirar sozinha, parar de viver por outra pessoa.
Acorda menina moça! Vai aproveitar sua inocência!
Contenta-se com as sobras de um amor, resto ignóbil de uma relação parasita.
Suga sua vitalidade, corrói sua pureza.
Incrível como suporta tanto para não abraçar  o ermo.


[Sabe que se fosse escrito em primeira pessoa seria muito (mais) ridículo.]

segunda-feira, 21 de maio de 2012

autofagia


Depois de você, tenho vários rascunhos. 
Essa relação é tao bipolar e maluca que eu não consigo terminar um texto.
Maldição.

fantoche do meu prazer.

Atrás da janela o mundo continuava. 
Os barulhos do carro, das buzinas frenéticas  não nos torturavam. As preocupações estavam perdidas em um universo paralelo na realidade. 
Mas defronte com aquelas paredes brancas de concreto meu amor por você se concretizava. 
Você sorri como se nada mais existisse, me beija como se nunca mais fosse fazer o mesmo.
Bebe da minha água como se fosse o elixir da sua existência.  
Brinca com meu corpo como se fosse a sua bonequinha, sua menina. 
De tanto fugir, me perdi nas suas curvas.
Tentando me perder, encontrei ali meu porto seguro.
E por lá fiquei.
Agora você era o meu fantoche, moldava e extraia todo o seu prazer que, não tinha ponto final.
Segurando forte na minha cintura, num rompante o último movimento - o gozo.
Num jogo rápido, você era meu.
Entre as minhas pernas, descansava, seus olhos foram fechados com uma naturalidade inexistente no mundo neurótico.
Apoiado no meu ventre extorquía todo o meu calor, um ladrãozinho sorrateiro.
 A corrupção continuava, os discursos dos latifundiários, a fome, miséria, toda a desgraça que eu repudiava e blá blá blá.
Naquele pequeno momento egoísta me contentava em adorar sua boca, seus olhos, seu cabelo, a barba "mal feita", como o ar que penetrava seu pulmão[...]
Com a ponta do meu dedo descia pelos seus caminhos, desvendando todos segredos carnais- e somente carnais.

Estava ali, com você, mas ao relento.
Mal nutrida por idealizações.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

um adeus.

No balcão sujo do bar, apoio as minhas mãos cansadas de segurar o copo preenchido pelo néctar dos desolados.
Sinto demasiada vontade de não viver. Olho para as mesas repletas de pessoas que possuem um sorriso desenhado a força na cara. As gargalhadas exageradas enaltecem meu desprezo pelo que vejo. Entre as distintas faces, procuro encontrá-lo, em vão. A demora martiriza meu coração.
Perco alguns minutos desfrutando da minha bebida até sentir sua mão, sentida de outras formas em outras estações - ah, a nostalgia.
A troca de olhares assustados se torna eminente e o desconcerto do beijo na face lateral do rosto, doía na alma.
Sentados com o corpos trêmulos, procuramos incessantemente um afazer para nos ocupar. A dúvida de estarmos ali é constante.
-Um gim com tônica, por favor - peço outra bebida.
Havia matado o silêncio que nos corrompia. Seguia-se então uma série de conversas sem nexo em que, a menção do passado era o único assunto. Risos abafados do conto de alguma viagem abrandou com o clima tenso daquela noite. Os ponteiros do relógio se moviam rapidamente, o tempo brincava com a nossa momentânea felicidade. A última risada seguiu com uma verdade intensa, estava perdendo meu grande amor. Sabíamos que era a hora de irmos - ah, e como sabíamos. Involuntariamente meus lábios tocaram nos seus em um lirismo perdido à muitas primaveras. Os olhos fechados custaram a se abrir, e nesta última troca, regado de carinho e sofrimento, de alegrias e lamento, que foi decretado o fim. Sigo caminhando atrás dos seus passos e paro defronte a porta de saída: imerso em lágrimas exclamo pelo seu amor - perdido à muitas primaveras. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

entre-gar.


Eu me rendo, desisto de tentar não te amar. Você me pega no colo, me nina como se cativasse algo, dentre o universo, o mais precioso. Vulnerável, você parte e reparte, mastiga e me abusa.
Como um fantoche que almeja ser guiado, entrego a minha alma e principalmente meu coração. Entre movimentos bruscos e brandos, vai me conduzindo para um mar de aprazimento.
Meu olhar dirigiu-se a você como se fosse o único.
Nos meus lábios formam-se curvas radiantes em resposta ao seu carinho. Deitados, você brinca entre os fios do meu cabelo negro. Meu corpo como um quebra-cabeça infantil, se encaixa perfeitamente no seu. Satisfeita, relaxo, experimentando a sensação do seu calor.
De mãos entrelaçadas, busco descobrir seus segredos e anseios. Compartilhamos sentimentos  de caráter insondável. 
Seu aroma inconfundível infecta este cômodo, me dopa, me alucina.
Seu sorriso é o meu sorriso.
Que escolha eu tenho a não ser, me entregar?

Vestido Vermelho.

Foi em um cruzamento entre a avenida do amor e a rua do infinito, que a reconheci.
Beijei sem tocá-la, senti sem beijá-la.
Meus pés seguem involuntariamente os dela, assim como uma relação de dependência.
A brisa que acaricia seu corpo leva até onde me encontro sua fragrância distinta.
Sinto inveja do vestido vermelho, sortudo que a agasalha e dança com o vento.
Faço amor e peço juras eternas só com o olhar.
Pego-a, mimo e boto para dormir dentro do meu coração.
Despindo seu corpo a faço mulher.
Viro, reviro, de ponta cabeça, de trás, de frente, desvendando mistérios, ainda sem tocá-la.
Seguindo o rastro do seu perfume adocicado, meus pés saem do chão, porque ela me mostrou como voar.
E nesta tentativa de alcançar a sua forma transcendente, quase angelical, meu coração se esfacela em milhões de pedacinhos, observando a moça que vira na esquina da saudade. 
Vai-se para sempre levada por um ladrão sorrateiro, com a cara faceira que arrancou meu amor dos meus braços.
O vestido antes "vermelho", agora é "cinza".
A rua antes "amor", virou "solidão".