quarta-feira, 25 de abril de 2012

um adeus.

No balcão sujo do bar, apoio as minhas mãos cansadas de segurar o copo preenchido pelo néctar dos desolados.
Sinto demasiada vontade de não viver. Olho para as mesas repletas de pessoas que possuem um sorriso desenhado a força na cara. As gargalhadas exageradas enaltecem meu desprezo pelo que vejo. Entre as distintas faces, procuro encontrá-lo, em vão. A demora martiriza meu coração.
Perco alguns minutos desfrutando da minha bebida até sentir sua mão, sentida de outras formas em outras estações - ah, a nostalgia.
A troca de olhares assustados se torna eminente e o desconcerto do beijo na face lateral do rosto, doía na alma.
Sentados com o corpos trêmulos, procuramos incessantemente um afazer para nos ocupar. A dúvida de estarmos ali é constante.
-Um gim com tônica, por favor - peço outra bebida.
Havia matado o silêncio que nos corrompia. Seguia-se então uma série de conversas sem nexo em que, a menção do passado era o único assunto. Risos abafados do conto de alguma viagem abrandou com o clima tenso daquela noite. Os ponteiros do relógio se moviam rapidamente, o tempo brincava com a nossa momentânea felicidade. A última risada seguiu com uma verdade intensa, estava perdendo meu grande amor. Sabíamos que era a hora de irmos - ah, e como sabíamos. Involuntariamente meus lábios tocaram nos seus em um lirismo perdido à muitas primaveras. Os olhos fechados custaram a se abrir, e nesta última troca, regado de carinho e sofrimento, de alegrias e lamento, que foi decretado o fim. Sigo caminhando atrás dos seus passos e paro defronte a porta de saída: imerso em lágrimas exclamo pelo seu amor - perdido à muitas primaveras. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

entre-gar.


Eu me rendo, desisto de tentar não te amar. Você me pega no colo, me nina como se cativasse algo, dentre o universo, o mais precioso. Vulnerável, você parte e reparte, mastiga e me abusa.
Como um fantoche que almeja ser guiado, entrego a minha alma e principalmente meu coração. Entre movimentos bruscos e brandos, vai me conduzindo para um mar de aprazimento.
Meu olhar dirigiu-se a você como se fosse o único.
Nos meus lábios formam-se curvas radiantes em resposta ao seu carinho. Deitados, você brinca entre os fios do meu cabelo negro. Meu corpo como um quebra-cabeça infantil, se encaixa perfeitamente no seu. Satisfeita, relaxo, experimentando a sensação do seu calor.
De mãos entrelaçadas, busco descobrir seus segredos e anseios. Compartilhamos sentimentos  de caráter insondável. 
Seu aroma inconfundível infecta este cômodo, me dopa, me alucina.
Seu sorriso é o meu sorriso.
Que escolha eu tenho a não ser, me entregar?

Vestido Vermelho.

Foi em um cruzamento entre a avenida do amor e a rua do infinito, que a reconheci.
Beijei sem tocá-la, senti sem beijá-la.
Meus pés seguem involuntariamente os dela, assim como uma relação de dependência.
A brisa que acaricia seu corpo leva até onde me encontro sua fragrância distinta.
Sinto inveja do vestido vermelho, sortudo que a agasalha e dança com o vento.
Faço amor e peço juras eternas só com o olhar.
Pego-a, mimo e boto para dormir dentro do meu coração.
Despindo seu corpo a faço mulher.
Viro, reviro, de ponta cabeça, de trás, de frente, desvendando mistérios, ainda sem tocá-la.
Seguindo o rastro do seu perfume adocicado, meus pés saem do chão, porque ela me mostrou como voar.
E nesta tentativa de alcançar a sua forma transcendente, quase angelical, meu coração se esfacela em milhões de pedacinhos, observando a moça que vira na esquina da saudade. 
Vai-se para sempre levada por um ladrão sorrateiro, com a cara faceira que arrancou meu amor dos meus braços.
O vestido antes "vermelho", agora é "cinza".
A rua antes "amor", virou "solidão".

sexta-feira, 20 de abril de 2012

ex-colha.

A ausência da sua presença 
Arde meu músculo cardíaco 
Com mais intensidade do que a minha no seu. 

Entre jogos de amor, 
Entre um querer e um deixar de querer, 
Meu coração navega em águas profundas, 
Imerso em segredos.

Encontro uma difusão no caminho, em que,
 Ambos permanecem sombrios, 
A decisão correta inexiste.

Meu barco não sabe somente 
O dever de seguir velozmente 
Nessa eleição.
Mas ele quer, 
Com todo afinco
 Viajar nesse caminho.

Há uma rachadura na essência marítima,
 Com as minhas mãos tento apalpá-la
 No intuito de cobrir o oculto que salta,
 Gozando da minha cara.

Afogo na minha própria ganância emocional.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

vende-se ilusão.


Percorremos em carros velozes durante a noite soturna, entre ruas manchadas pela miséria e desgosto. No nosso mundo fechado e paranoico, em que, a verdade permanece oculta aos nossos olhos que tentam simplesmente ignorá-la.
Entre os prédios altos da cidade grande, máscaras impedem de vermos o que esta por trás! E o que há? Uma sociedade invisível aos nossos olhos insensíveis, escondidas atrás de uma máquina e um sistema. Sustentando os caprichos alheios enquanto lutam para sobreviver. SO-BRE-VI-VER. 
Andamos pelas ruas com os olhos tão moldados que não reparamos o que esta a nossa volta. Não se notam mais a bela praça, as árvores, fontes, flores, crianças sorrindo despreocupadas com a vida, a pessoa que esta ao seu lado,  os belos sorrisos, os olhos tristes da moça que chora por um amor não correspondido.
Ah, mas nós estamos preocupados demais com os nossos "grandes" problemas. Enquanto a maior parte da população oprimida atrás da cortina joga flores para você passar. 
O constrangimento de estar sentada com a sua bela bunda de academia, enquanto no noticiário  passa o esfacelamento mundial, inexiste. Mas tudo bem, você tem o que precisa na sua vida medíocre.
Na ilusão de uma vida "melhor", você trabalha como um condenado e se torna um fantoche desse sistema, mais uma inútil estatística do IBGE.

terça-feira, 17 de abril de 2012

querido professor,


A literatura sempre foi para mim,
arrebatadora. No lirismo dos poetas nu e escancarado em versos tão intensos. Na realidade exposta de uma forma revolucionária por escritores. Está no modo como as palavras se juntam em perfeita harmonia para se transformarem em explosões de sensações na nossa alma. O poder que as permite mudar o mundo!
  Mas foi com você, que eu aprendi a direcionar esse amor, a cultivá-lo. Eu com o lápis, você com o giz. Eu com o ouvido, você com a boca.
Num rompante frenético, entrei com o coração.

domingo, 15 de abril de 2012

psicodélica.

Se existe magia,aconteceu naquele dia.


 Seu carro agora era uma nave de brincadeiras e encantos. A batida da música que tocava no rádio nos transferiu para um floresta encantada, na qual, só nós existíamos.
Transbordava magia. 
Sua boca era um parque de diversão e parar de desejar seus truques era uma tarefa impossível.
Eu era uma criança em um balanço preso na topo de uma árvore iluminada pela lua sorridente.
E você desbravava intensamente, mostrando todos os segredos daquele lugar mágico.
Havia flores das mais variadas formas, cores e cheiros, espalhadas, dando a sua graça. E eu curti cada odor distinto da grande floresta encantada.
As arbóreas bailavam com o vento em perfeita sintonia.
 Nos pequenos vaga-lumes, as luzes se misturavam e brincavam em uma viagem psicodélica
O tempo parou.
Tínhamos a eternidade, na floresta encantada.
Corríamos para tentar alcançar as estrelas, enquanto a lua sorridente continuava a sorrir.
E a batida daquele som diferente sustentava a sensação.
Eu queria viver do seu sorriso.
Dancei com o tempo para tentar distrai-lo, mas em vão.
De repente o tempo malvado fez seu insignificante trabalho. Então a batida parou, tirando a nosso sorriso eterno.
Ah, onde existia uma exímia junção de emoções compartilhadas, ficou cinza: só existe solidão.
Mas,
Se existe magia, aconteceu naquele dia.

sábado, 14 de abril de 2012

meu corpo pede so-cor-ro.

       Em um breve momento de lucidez enfrento a verdade, esta que, estampada em minha face me machuca, arranhando meus olhos despidos contra o vento. Sonho com seu cheiro, sinto seus lábios tocarem suavemente meu seio e sua língua vagarosamente deslizar sobre meu corpo que implora por você.
     As manhãs se perdem depois da sua partida, a velocidade dos segundos esta cada vez mais escassa. Os ruídos das ruas movimentadas do centro não me martirizam mais. Olho no rosto das pessoas que caminham alienadas por alguma razão superficial, tentando encontrar um pedaço que me remeta a alguma lembrança sua.
       Entre as praças fétidas pela fumaça da droga, caminho, e continuo caminhando. Distraio-me rapidamente com um casal que segue o mesmo destino. Procuro novamente a tela do meu celular em vão, esta vazia.
    Vejo o passado tão presente, que a brisa da minha varanda talvez me leve para vivê-lo mais uma vez. Atualmente, o futuro é um substantivo abstrato no meu vocabulário.
      E assim, reconhecer cada parte do teu corpo, um suspiro, um beijo levado pelo vento da solidão.
   Quando chegar a minha porta vera que sou outra mulher. Por isso, não deixe de apertar a campainha. Sua ingratidão em me responder poderá deixar cicatrizes que não serão refeitas.
  


sexta-feira, 13 de abril de 2012

amantes.

A pouca luz que havia naquele estreito corredor era suficiente para distinguir seus olhos e reconhecer seu desejo. E só foi necessário essa troca para que eu me rendesse a uma suposta traição. 
Cada pétala de rosa vermelha do meu cabelo que caia e se espalhava naquele chão imundo, era marcada pela obscuridade da situação. Ninguém naquele momento poderia explica-la. 
Sua língua, que agora encostava na minha, fazia liberar sensações no meu corpo indescritíveis e uma agitação na circulação do sangue. Sua força agora era evidente, agarrava na minha silhueta frágil. 
  Em meus lábios sabor cereja que tentavam te enfeitiçar,me remetiam a um passado tão intenso, que chegava a machucar meu coração. 


Naquele momento, você era o amante do meu amor não correspondido. 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

se-(m)-xo

  Procurou-me naquela noite onde só existia solidão. A saudade estava em cada molécula de ar que penetrava vagarosamente pelo meu pulmão. 
   A notícia da sua chegada fez arrepiar cada pelo da minha pele e dobrar a velocidade da batida do meu coração. E as moléculas de ar? Ah, estas entravam como um furacão no meu corpo.
   Na escuridão envolvida entre quatro paredes sua língua saboreava meu seio. Parei de pensar, naquele momento eu só senti. Não poderia permitir que aquele moralismo barato barrasse meu desejo. Seu corpo não tinha mais distinção do meu, agora éramos somente uma massa de paixão. 
   A madrugada veio, e com ela, a fadiga. Repousou-se, como uma criança cansada de brincar com seu brinquedo. Um último beijo. 
   E como em uma brisa de verão você se foi, levando contigo todo o meu prazer e seu gozo. Então minha solidão fez companhia.
   Eu não quero viver em um continuo "sobe e desce", enquanto você saboreia o gosto doce da sua vida. Foi, como sempre, apenas um aventureiro explorando meus caminhos em um prazer absoluto.

desejo oculto.

Seus olhos fogem do meu controle, seu beijo alimenta minha alma miserável, seus lábios quentes se nutrem do meu néctar e desvenda o labirinto dos meus segredos mais íntimos.
Minha pele, sensível ao seu toque, transpira e se arrepia em uma escala desordenada. Sua risada boba me faz querer sua companhia.
Bebo da sua água tão vorazmente como se meus lábios a sentisse pela primeira vez.
As palavras que saem da sua boca me enfeitiçam e o seu movimento me hipnotiza, fazendo com a minha suplique pela sua.
Sua mão forte ao mesmo tempo que me acaricia, me excita, agora, já perdi o controle e, você finge que não sabe.
Sua língua se intensifica no meu interior, e em resposta a esse ato, minhas unhas cravam na sua pele como se inconscientemente pedissem por algum prazer nunca experimentado anteriormente. Sua respiração esta mais ofegante e a luz fraca que sai humildemente pela janela ilumina seus olhos. Procuro desvenda-lo mas, para o meu desespero não há nada. Nada. Penso em me afastar mas, o querer do prazer carnal me domina, perdendo a razão.
Despida para você perco todo o meu pudor e vergonha. Minhas mãos antes tremulas de pavor, tremem de prazer.
Pronto, já não existe mais dois, somos um. E nesse balanço abençoado de amor segue-se de gemidos abafados, desejos ocultos realizados, e trocas de olhares que nunca foram tão sinceros e por mais que contradiz a situação, puros.
Você que parecia tão vazio, mostra-se completamente nu em todos os sentidos. Em sua retina transparece outras verdades seguidas de um afeto existente. E neste emaranhado de picos emocionais, eis que surge de repente a sensação antes buscada.
Não havia mais ninguém agora, somente nossa massa junta. Complicações foram afastadas a cargos ínfimos. Minha boca sem pedir permissão abre um sorriso.
Te reconheci em cada gesto, em cada afeto, de outros carnavais.
Envolvida nos seus braços, descanso, esperando apenas este sonho terminar (..)

tolice.

Chego a duvidar do amor.
As paixões foram tantas,
Inúmeros olhares bobos,
sem falar nos suspiros
antes de dormir..
E todas essas banalidades em vão.

Chego a duvidar da razão da minha existência,
os motivos pelos quais acordo
nas manhãs ínfimas de em trabalho medíocre.
Por que começamos um relacionamento,
se sabemos onde vai dar?


Percorremos um labirinto onde,
a saída é inexistente e
meu corpo se desnorteia,
arrastando para achar um "caminho".


Dou risada da minha carência emocional.
Fui tola em dizer que não posso
viver sem você.

Mas sem o amor,
haveria razão para continuar?


Malditos hormônios.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

vicio.



Perco-me na imensidão
 Dos seus olhos tão verdes.
Verdes como a pureza de um lago que,
De dia permite desfrutar o que
Realmente habita no seu interior e
Ao escurecer se torna intensamente misterioso
Que só posso ver a lua refletida e 
Tudo se transforma.

Perco-me no enlaço do seu abraço, pois, 
Mesmo presa em seu corpo
Nada me faz sentir tão livre.
O aroma que exalta da sua pele
E entra pelas entranhas do meu corpo
É uma endorfina,
Uma droga que não adianta tentar esconder
O vicio por você.

fa-cade-do-is-g-um-es.

Cansei de viver o seu sonho, de me matar por você. 
Maldito e bendito, não preciso da sua selvageria para sobreviver.
Amaldiçoado papel, magia negra
que me corrompe e suga cada gota de vida
 habitada em mim.
Preciso de liberdade,
Preciso de liberdade.
Quem esta pronto?

segunda-feira, 2 de abril de 2012

não me ig-no-re.

 Como poder controlar o desejo mais profundo, se o toque da sua pele na minha revela instintos, dos quais, não sei lidar?
Como poder segurar a direção que os meus olhos insistem em percorrer até você?
Meu coração atualmente trabalha sozinho, deu folga para o cérebro que cansou de impor seus limites. Sua carga horária é tanta que até às vezes não consegue dar conta do seu ínfimo e inútil trabalho.
Não poderia negar a felicidade no meu interior quando você abre aquele sorriso que eu provoquei.
Como você pode sumir assim, ignorando a minha existência? Ignorando todo esse amor..