terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ela tenta, mas acaba no bar.

Ana saiu para ir ao psicólogo, decidiu mudar de vida. Tagarelou mas não receitaram nenhum remédio, para o seu espanto. Achou que uma dose de conhaque resolveria.
Aninha contava num to cômico a um desconhecido que dava mais atenção os seus seios fartos embutido num decote sagaz: 'E fica aqui ao lado!' Dizia repetidas vezes até ele cair na gargalhada. O homem era um completo imbecil, ela não liga, precisa de ouvinte assim.
E ri por dentro:
Aninha quer uma namorada,
mas prefere acender um cigarro.

No bar.

Seu nome é Ana. A Aninha, Aninha cachaça. 
Ana adora cheiro de bar, do cigarro fedido. Está sozinha, gosta assim. Escolhe o lugar com seu olhar blasé: o balcão, apoia-se e devora o cardápio. Pensa nela, respira fundo e se afoga numa dose.
Estende seu copo e pede mais uma.
Entre notas amassadas abre a sua bolsinha e procura incessantemente por um cigarro.
Deixa-o vermelho e ali a brasa alimenta sua solidão.




domingo, 19 de agosto de 2012

eu te amo.

Não é o álcool que está no meu sangue que me motiva intensamente a proferir tão delicadas palavras. 
Se eu escrevo, não sinto medo. Não posso permitir tal sentimento que acolhe  a covardia humana.
O amar pede o não entender, se entendêssemos cairíamos num oceano da racionalidade e para mim, isso não convém.
Jamais tente procurar alguma definição mesquinha sobre o significado do amor. Nos polpe de tamanha loucura, sinta.
Ah, como suas mãos são lindas, a extensão do seu espírito e amor a vida. Me toca, me sente, me aperta e me acolhe.
Me prende, me segura e me solta.
Prende, segura e solta.
Quero viver solta no aperto entre seus braços,  quero te ver livre e meu.
Não quero nada pela metade, quero você por inteiro, picado em pequenas porções comestíveis de amor.
Deixe-me deliciar com você.
Quero de entrada o seu corpo mas como prato principal exijo seu coração.
Eu te amo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

toda sua.

Suas mãos apertam
deslizam por toda a carne.
Seus olhos se alimentam
Das minhas curvas.
Agarra meu cabelo me perpetuando 
               como sua.

Sua língua se esvai
Da minha boca e desce
Entre meu mamilo e meu ventre.
E ali me beija tão vorazmente
Que a loucura me faz
Gemer de prazer.

                  Goza no meu peito
Que te afaga.
Devora do meu corpo
Que te espera.
Respira da minha pele
Que exala
O desejo que por ti
Me inebria.


pintura: Matheus Arcaro.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

seu seu seu, tudo meu.

Acordo na minha cama, 
escovo os meus dentes 
com a minha pasta dental, 
arrumo meu cabelo e visto meu uniforme, 
um status da moda, 
exatamente como a sociedade deseja. 
Sim, senhor.

Tomo o meu café, 
meu único vício permitido. 
Com o meu pincel desenho a máscara que disfarça o meu tédio 
e claro, um perfume: importado 
(Eles disseram que seria melhor). 
Maquinalmente sorrio 
e vou para a minha escola.
Desculpa, senhor. Sim, senhor.

No meu almoço pego o meu dinheiro, 
Pago o meu lanche, 
minhas fritas e minha coca-cola, 
pego a minha bandeja que 
cabe perfeitamente em uma mesa, 
feita exatamente para mim e mais ninguém. 
Não preciso de alguém.

Nhac, nhac, nhac 
Vou mastigando e me devorando.  
Olhar para o lado? pensar?
 Ah, para que? Bobagem,
"O importante é ser feliz!"