Uma gota escorre pela minha pele, queria não estar viva. A inconstância das coisas sempre foi algo magnético em minha trajetória. Amar para me sentir inteiramente presente. Fingir amar e mergulhar meus dedos incessantemente em uma máquina de escrever. Cada pulsação da minha artéria junta-se num súbito desespero ao dedilhar sobre as letras. Deixar-se viver simplesmente viajando dentro de um sopro suave que percorre um instrumento. Despencar de um desfiladeiro e voar, sentindo meu corpo envolvido por liberdade, abrindo os braços para o desconhecido. Penetrar na mágoa que abate meu olhar e sobreviver, desviando da solidão. Me perdi intensamente em todos os seus textos para talvez entender em que vírgula te perdi. De todas as declarações de amor que não me pertencem, cada palavra se remetia assim, a uma paixão inexistente n'alma humana. Sinto náuseas. Sinto como se um tumor estivesse cravado nas minhas entranhas, esperando para ser vomitado em um papel. Quero beber até que eu me entorpeça em um dos meus poemas patéticos sobre o amor. Procurando em cada tristeza um resquício de arte. Quero deixar de sentir, mas me reprimo num golpe certeiro e caio no chão enlameado pelo pudor e descaso. Prefiro sofrer do que me redimir a um vazio.