Não demora muito para fazer o que deseja: vai até sua bolsa e pega mais um cigarro. Ela anda fumando coisas diferentes. Logo logo o borborinho da sua mente alcança um estágio ignóbil. Ana acha que sente sede, mas é só o seu corpo pedindo outra dose.
Exala sexualidade até no modo como anda, no movimento dos seus lábios e na risada idiota. Recusa-se ir ao bar tão cedo. Por uma infíma fração de tempo pensa que um banho seria a melhor opção para tirar a sujeira dos pensamentos mais sórdidos que cravam em sua mente: Depois de tanto exitar nossa querida Aninha precisa de sexo.
Adivinha onde ela está? Sim, meu caro leitor: no bar.
Ana não sabe, mas onde passa chama atenção. Talvez seja o seu jeito desligado e o inconfundível modo espalhafatoso. Mas eu ainda acho que são os belos seios e como ela insiste com os decotes. Mas não se enganem. No fundo, mas bem lá no fundo do quer um namorado.
Seu olhar se afrouxa por uns instantes e sua voz aumenta- ah, o efeito do álcool.
Os olhos percorrem o salão e estacionam descaradamente nos de outro cidadão. Não se importa e continua analisar. Seu cabelo bagunçado castanho, a barba mal feita, sorriso bobo, a língua passando instigante entre os dentes, suas mãos segurando com força na lata de cerveja. Ali estava seu alvo, no canto, sozinho e estranhamente misterioso. Num rompante psicodélico e sem lógica alguma pensou como ele poderia ser incrível. E um desejo maluco tomou conta da sua cabecinha desnorteada que trabalhava incessantemente procurando uma maneira de chamar sua atenção. Não precisava de muito, apenas algumas trocas de olhares. Seu nome era Caio. Já trocavam meadas palavras, o bastante para fomentar a sua curiosidade. Por fim, a tão esperada sugestão da carona foi feita.
Saiu da mesa tentando não mostrar o quão afetada estava pela vodca barata. Com um pé de cada vez, sorrindo como besta entrando no carro. Nem sentiu o gosto do beijo e já gostava. No caminho os dois acenderam um cigarro. Percebia-se facilmente a calma dele em paradoxo com o nervosismo que era refletido nas mãos trêmulas dela.
Caio parou o carro com destreza e abriu a porta direita do carro. Pobre Ana, saiu sem delicadeza alguma, era só uma garotinha perdida tentando sem encontrar em um copo de vodka. Bastou entrarem no elevador para o beijo acontecer e acreditem, era como ela imaginava. Entrou na sua casa sem pedir e hesitar. Tropeçando entre taças e livros o moralismo se extinguiu e o universo conspirava a favor dos dois desconhecidos. O toque forte e a roupa deslizando para fora do corpo. A língua que se embebedava dos seus seios. Entre sorrateiros passeios das mãos pelo seu corpo, descobrindo as loucuras do prazer do tato. Era o êxtase vindo em movimentos sempre sedentos por mais, Ana sempre quer mais. Iam despidos de pudor, como animais curiosos com o delírio do sexo. Na bagunça da cama, se perderam entre pernas e braços. O suor escorria ligeiro pelas curvas enquanto elas se encontravam. Posterior a euforia, se encaravam com a respiração impregnada com resquício da ação sofrida, ofegante. Ana prefere olhar para o teto, fecha os olhos e o abraça forte.
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