terça-feira, 22 de maio de 2012

contentamento.

Não, ela não esta morta. Por mais que não queira as veias ainda continuam a pulsar o sangue frio.
Tem medo de viver, de amar e sofrer, medo de acreditar e se envolver.
Tem medo de ser, ou melhor, não ser.
No mundo escuro, onde fantasmas a atormenta e o bicho-papão segue rindo das suas trapalhadas.
Mas ela vive.
De tempos em tempos há luz no seu mundo e a esperança volta a desabrochar. O cheiro pútrido se esvai. Ela se joga, joga tanto que afoga e cai.
Ela quer perecer, não é bom o suficiente: somente uma luz ofuscada pela grande estrela.
Quer respirar sozinha, parar de viver por outra pessoa.
Acorda menina moça! Vai aproveitar sua inocência!
Contenta-se com as sobras de um amor, resto ignóbil de uma relação parasita.
Suga sua vitalidade, corrói sua pureza.
Incrível como suporta tanto para não abraçar  o ermo.


[Sabe que se fosse escrito em primeira pessoa seria muito (mais) ridículo.]

segunda-feira, 21 de maio de 2012

autofagia


Depois de você, tenho vários rascunhos. 
Essa relação é tao bipolar e maluca que eu não consigo terminar um texto.
Maldição.

fantoche do meu prazer.

Atrás da janela o mundo continuava. 
Os barulhos do carro, das buzinas frenéticas  não nos torturavam. As preocupações estavam perdidas em um universo paralelo na realidade. 
Mas defronte com aquelas paredes brancas de concreto meu amor por você se concretizava. 
Você sorri como se nada mais existisse, me beija como se nunca mais fosse fazer o mesmo.
Bebe da minha água como se fosse o elixir da sua existência.  
Brinca com meu corpo como se fosse a sua bonequinha, sua menina. 
De tanto fugir, me perdi nas suas curvas.
Tentando me perder, encontrei ali meu porto seguro.
E por lá fiquei.
Agora você era o meu fantoche, moldava e extraia todo o seu prazer que, não tinha ponto final.
Segurando forte na minha cintura, num rompante o último movimento - o gozo.
Num jogo rápido, você era meu.
Entre as minhas pernas, descansava, seus olhos foram fechados com uma naturalidade inexistente no mundo neurótico.
Apoiado no meu ventre extorquía todo o meu calor, um ladrãozinho sorrateiro.
 A corrupção continuava, os discursos dos latifundiários, a fome, miséria, toda a desgraça que eu repudiava e blá blá blá.
Naquele pequeno momento egoísta me contentava em adorar sua boca, seus olhos, seu cabelo, a barba "mal feita", como o ar que penetrava seu pulmão[...]
Com a ponta do meu dedo descia pelos seus caminhos, desvendando todos segredos carnais- e somente carnais.

Estava ali, com você, mas ao relento.
Mal nutrida por idealizações.