quarta-feira, 27 de junho de 2012

amor é patético.

Dói mais que ferida na pele, arde, corrói, estupra meus sentidos.
Me sinto suja, asquerosa. 
Ação fingida, seu amor fingido. 
Sua cara é uma máscara que tenta me enfeitiçar 

Maldito!
Desejo apenas o mesmo para você.
Meus olhos continuam a derrubar lágrimas e eu  nem sei mais o porque.
Jurei pelos Deuses que um dia jogaram sua ira sobre Grécia que jamais voltaria para o enlaço dos seus braços.

Se são os seus olhos que me tenta, por favor,
por hoje vire sua face quando passar.
Ai, o sofrer por amor:
patético.

terça-feira, 19 de junho de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

mentirinha.

Acendo um cigarro. Meu corpo anestesia da agitação sofrida anteriormente. A seda queima e em pouco tempo cheiro inebriante se espalha entre quatro paredes. A fumaça que agora cobre seu rosto não cobre a dor da verdade que esconde de mim. 
Arranco a sua roupa, agarro no seu cabelo, machuco e excito a sua pele, que arrepia. Enquanto a sua mão se faz de sutiã, enquanto seu corpo na inércia vai diminuindo a frequência da respiração. 
Meus olhos entregam-se apenas na função de te adorar. Mas não sei o que vejo, eu não reconheço seus traços, nem ao menos seu jeito.
Palavras vazias de sentimentalismo são proferidas com o passar dos ponteiros do relógio. 
Meu querido não imagina como a fumaça o transforma. Talvez me modificasse também. Ela queima e meu cérebro continua a se expandir. Ao invés de escapar do buraco como você, ele aparece sorrateiro. Afinal, pensar é quase sinônimo de sofrer.
Será que é necessário fugir para me encontrar?
Será que é necessário fugir para se encontrar?
A fagulha ainda continua a obstruir a droga até seu corpo se satisfazer completamente. Apaga o fogo com o mesmo que o deu vida.
Involuntariamente meu corpo pede o seu, minha boca formigando descobre a sua.
E tudo se repete: 
O trago é o comburente da nossa paixão.
Abro meus braços para seu descanso, aconchego meu coração para te ninar.
Deixa eu cuidar de você, vai.
Mesmo na mentira resta algum amor?
Será que de tanto omitir, o que sobra é a verdade?
O mal de gostar tão cegamente pode ser a única forma de sobreviver. 
Engana-me e eu finjo que não sei.
Ao olhar-me no espelho, sóbria, tenho repúdio pelo que vejo: uma sombra- tolinha. 
Amo-te? Não sei se amo porque desconheço o que é amar. Porém, morro de desejo, ao descaso do meu próprio ser.

sábado, 16 de junho de 2012

reféns da própria criação.

Fazemos parte de um mundo paralelo que devora a realidade que se conhecia. Em passos enlaçados pelo silêncio, essa nova geração vem modificando as formas de convivência e até necessidades. Pioneira no quesito tecnológico acaba destruindo as ligações com o próximo pela preferência da palavra digitada e não pronunciada. 
A busca persistente pelo "novo" transforma a necessidade do jovem pelo estudo. E nessa sede de aprender, fomentada pelo capitalismo os deixa previsíveis e individualistas, em sua maioria. Nessa adequação atual torna-se difícil a sensibilidade na vertente ambiental e ética. Todos os valores se transformam de maneira significativa, o certo e o errado se perdeu na loucura do homem.
O contentamento  se torna inexistente mesmo no emocional. Casos de depressão são cada vez mais evidentes como os de suicídio. Nesse borbulho da gênese de uma nova forma de visão muitos enlouquecem nas suas próprias ganâncias imensuráveis. 
Escondem-se em máscaras para melhor adaptação nessa selva de interesses individuais, com o olhar  imerso no insensível da simplicidade. Não, eles não parariam nossos motores cerebrais para dar devida atenção a "musica do vento", muito menos a beleza da "explosão da semente sob o chão", ha maiores preocupações - quanta banalidade.
Contudo, seguimos assim, reféns da nossa própria criação. Soldados marchando pelo desejo inconstante do que não temos, do que não vimos. Como corrobora Bertolt Bretch, acabamos no anseio de alguma mudança ou compaixão pelos que virão depois de nós.

terça-feira, 5 de junho de 2012

silêncio.

Tem mais poder que queria sobre mim. 

vermelha como sangue.

No peito da camisa carrega
A força de uma revolução.
Vermelha, como o sangue
Perdido para dar 
vida a liberdade.
Possui uma vontade
Distinta de qualquer realidade
Oprimida pelo não.

No peito da camisa carrega
A dor de uma paixão
Da rebeldia insensata do
Poder da nação.
Mesmo no momento da opressão,
Não nega o vinho, 
Muito menos o pão.

A ferida causada pela tortura
Não dói na pele,
Mas arde no coração.
Ardência de dar medo no patrão que
Insiste em não pedir
Perdão pela intromissão.


(para um anônimo que observei no aeroporto com uma camisa vermelha do Che)