quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Ainda que.

O sangue que escorre é vermelho,
É vermelho.
A lágrima que cai é covarde, 
É covarde.
A boca que beija é mentira,
É mentira.
A saliva que troca é nojenta
E a língua que tampa é corrupta.

Eu fumo e gozo: 
É o medo, é o medo.
Eu penso e falo:
É loucura, É loucura.

Mas te amarei, ainda que
 As almas estejam caladas
Pelo furor da opressão.
Beijarei, ainda que 
na minha boca não haja saliva.
Sufocarei em meus seios, ainda que
 Não haja força para lutar.
Gritarei por seu nome,ainda que 
Um mar de mãos me cale,ainda que 
Entorpecida, me feche quietinha:
Gritarei por seu nome, Liberdade!


domingo, 13 de janeiro de 2013

Traição.

Enquanto meu corpo estiver preenchido
Pelo néctar que você suga
E meu ventre te aquecer dos problemas,
Ainda restará uma chama da doença desse amor,
Nem se for a chama fétida do meu cigarro.

O pulso pulsa o sangue da mentira,
O pulso pulsa sem querer pulsar, 
A lágrima ainda cai sem querer cair
E a calúnia é proferida quase sem magoar. 

Juras.

Se a sua pele recuar da minha, 
Se a minha mão não acalentar a sua,
O prazer se dissolverá e, 
O último fio de vida que 
Bate no coração do homem, falecerá.

Que nenhuma palavra expresse mentiras,
Que nenhum beijo se afogue no medo
E nenhuma lágrima venha depois.

Sem amor nada esquenta, nada sacia.
Na blasfêmia dos seus sentimentos
Rogo por uma ponta de prazer, sem pranto.

A linha que cruza o coração do homem
Está gozada pela injúria dos mal amados,
Condenamos á viver no drama das lamentações.

Me ame como mulher, 
Me goze como puta,
Arranha e me laceia como sua escrava,
Arranque meu cabelo e coma minhas migalhas,
Por um amor que talvez seja verdade.