segunda-feira, 18 de junho de 2012

mentirinha.

Acendo um cigarro. Meu corpo anestesia da agitação sofrida anteriormente. A seda queima e em pouco tempo cheiro inebriante se espalha entre quatro paredes. A fumaça que agora cobre seu rosto não cobre a dor da verdade que esconde de mim. 
Arranco a sua roupa, agarro no seu cabelo, machuco e excito a sua pele, que arrepia. Enquanto a sua mão se faz de sutiã, enquanto seu corpo na inércia vai diminuindo a frequência da respiração. 
Meus olhos entregam-se apenas na função de te adorar. Mas não sei o que vejo, eu não reconheço seus traços, nem ao menos seu jeito.
Palavras vazias de sentimentalismo são proferidas com o passar dos ponteiros do relógio. 
Meu querido não imagina como a fumaça o transforma. Talvez me modificasse também. Ela queima e meu cérebro continua a se expandir. Ao invés de escapar do buraco como você, ele aparece sorrateiro. Afinal, pensar é quase sinônimo de sofrer.
Será que é necessário fugir para me encontrar?
Será que é necessário fugir para se encontrar?
A fagulha ainda continua a obstruir a droga até seu corpo se satisfazer completamente. Apaga o fogo com o mesmo que o deu vida.
Involuntariamente meu corpo pede o seu, minha boca formigando descobre a sua.
E tudo se repete: 
O trago é o comburente da nossa paixão.
Abro meus braços para seu descanso, aconchego meu coração para te ninar.
Deixa eu cuidar de você, vai.
Mesmo na mentira resta algum amor?
Será que de tanto omitir, o que sobra é a verdade?
O mal de gostar tão cegamente pode ser a única forma de sobreviver. 
Engana-me e eu finjo que não sei.
Ao olhar-me no espelho, sóbria, tenho repúdio pelo que vejo: uma sombra- tolinha. 
Amo-te? Não sei se amo porque desconheço o que é amar. Porém, morro de desejo, ao descaso do meu próprio ser.

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