quarta-feira, 5 de novembro de 2014

digestão.

Sucumbida pelo meu próprio choro,
 Rogo por um lamento 
Nesse mundo de insanidade.
Sucumbida, principalmente, 
Pelo meu próprio desejo de mudança. 
Enterrado e sepultado com meus sonhos,
 Devido inteiramente pelo cansaço. 

Apenas pelo cansaço dos cigarros que 
Simplesmente não fumei. 
Agora vocês compreendem 
A que ponto minha alma chegou? 
A lucidez me cuspe mas eu prefiro existir
 Mastigado na loucura.

As mortes são as mesmas.
As desculpas também são as mesmas.
A carne que você come 
Continua a apodrecer lentamente no seu corpo.
Mas o beijo que lhe roubaram 
Já se foi.

Entretanto sigo,
Como se os corpos que 
Passaram pela minha cama
Fossem apenas pesos.
E que se quer foram amadas 
Com tanto furor por mim.

  

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Parasita

A sobriedade é o veneno do poeta. Não falo só do embriagar-se pelo erudito, mas embriagar-se de paixão, do hediondo, do belo, daquilo que nos apodrece, das lembranças.
Embriagar-se do que não existe, do inventado, daqueles sentimentos que criamos dos nossos devaneios joviais. Do amor que alimentamos quase como obsessão para nutrir as palavras escritas com tamanho frenesi nesse pedaço de papel. Aliás, procurar sentimento verdadeiro é como tentar respirar no vácuo, só se encontra o exício.
Das cicatrizes que cultivei durante a minha meninice até os copos sujos de conhaque espalhados pelo meu quarto entre as bitucas de fumo vagabundo, inebriando o ambiente. Esse cheiro misturado de vergonha que me corrói. Preferia seu cheiro feminino, assistir você quase que brincando com seu cigarro, nua, fingindo ser mais do que uma menina.
Me considero um parasita vagando pelos nebulosos desfiles intelectuais. Enrustido pela sagacidade dos que entendem que a vida é uma grande mentira, aos que tem coragem de ir.
Eles não sugam só sangue, eles envenenam nossa boemia em poucas doses. Porque a morte tem que ser endossada entre urros e lágrimas abafados.
Estou bebendo para me afastar do desejo de partir. Partir de mim mesma. Como se pudesse me desfazer em pequenos pedaços para que talvez me entendam.
Estou doente, tenho estado doente de sanidade.
As paredes escritas, agora, encontram a solidão.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

estupro

Hoje eu morri.
Não cogitei que fosse morrer tão cedo.
Arrancaram-me da forma mais frigida.
Violentaram, sujaram, cuspiram, gozaram, bestializaram minha existência.
Rasguei meu peito e estou deixando o sangue deslizar até minha ferida.
Meu sexo que pulsa de dor.



segunda-feira, 2 de junho de 2014

vem cá.

Ficou difícil, 
Me arrisco no abismo ínfimo de tempo em que nos é permitido. 
Não quero compartilhar seu sorriso, teu cheiro, teu gozo.
Despedaçar-me ao te ver assim, tão leve, sorrindo para outra.
Desesperando por um amor mesquinho que, me pega de carona, suga, chupa só por prazer e me despeja, alegando asquerosa insegurança. 
Na madrugada fria dói mais.
Por fome de querer ter você por inteira, enrolar no seu cabelo, caminhar pelo seu corpo até nos fundirmos num só coro de gemido.
Num corte profundo, dilacerei novamente procurando insanamente por nós.
Aperto, amasso, mordo o travesseiro  confundindo no seu seio.
Nasci para te ter louca, sentir por inteiro.
Só não me venha com mentiras.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Colapso Cerebral.

Dentre todas as loucuras joviais, migrei para um estado de pertubação muito intima. 
De tanto escrever sentimentos de outra, me perdi nos meus.
Banhar meus anseios em um copo de cerveja já me parece tolo e vazio.
Mas as vezes, preencher-se de vazio é o único viés para não me afogar num colapso cerebral.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

inferno a(na)stral

Nessa noite, o toque da chuva dilacerou meu coração. Ando me embriagando de um tinto chamado saudade e mendigando por paixões fingidas. 
Sugando do inexistente mentiras para escapar da solidão, me preenchendo pela podridão do afeto inventado.
Sangrando minha pele com as garras da desilusão, na tentativa ignóbil de te arrancar de mim.
Tua sombra esguia sobressai a minha, tecendo meu pesar.
Doeu.
Dói.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

olhos verdes.

Afogou na minha boca o seu calor.
Cada toque estava suspenso ao poder do nosso olhar. Mastigado, saturado de prazer. 
Sua silhueta nua desmanchavam sobre meu corpo.  O cheiro inebriante que você exalava prensava sobre minha pele.
 No furor do caos, meus dedos fincavam sua pele, tão alva, num dilúculo de pura demência.