Em um breve momento de lucidez enfrento
a verdade, esta que, estampada em minha face me machuca, arranhando meus olhos
despidos contra o vento. Sonho com seu cheiro, sinto
seus lábios tocarem suavemente meu seio e
sua língua vagarosamente deslizar sobre meu corpo que implora
por você.
As manhãs se perdem depois da sua partida, a
velocidade dos segundos esta cada vez mais escassa.
Os ruídos das ruas movimentadas do centro não me martirizam
mais. Olho no rosto das pessoas que caminham alienadas por alguma razão superficial,
tentando encontrar um pedaço que me remeta a
alguma lembrança sua.
Entre
as praças fétidas pela fumaça da droga, caminho, e
continuo caminhando. Distraio-me rapidamente com um casal que segue o mesmo
destino. Procuro novamente a tela do meu celular em vão, esta vazia.
Vejo o passado tão
presente, que a brisa da minha varanda talvez me leve para vivê-lo mais uma
vez. Atualmente, o futuro é um substantivo abstrato no
meu vocabulário.
E assim, reconhecer cada parte do teu corpo, um suspiro,
um beijo levado pelo vento da solidão.
Quando
chegar a minha porta vera que sou outra mulher. Por isso, não deixe
de apertar a campainha. Sua ingratidão em me
responder poderá deixar cicatrizes que não serão refeitas.
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