O sangue que escorre é vermelho,
É vermelho.
A lágrima que cai é covarde,
É covarde.
A boca que beija é mentira,
É mentira.
A saliva que troca é nojenta
E a língua que tampa é corrupta.
Eu fumo e gozo:
É o medo, é o medo.
Eu penso e falo:
É loucura, É loucura.
Mas te amarei, ainda que
As almas estejam caladas
Pelo furor da opressão.
Beijarei, ainda que
na minha boca não haja saliva.
Sufocarei em meus seios, ainda que
Não haja força para lutar.
Gritarei por seu nome,ainda que
Um mar de mãos me cale,ainda que
Entorpecida, me feche quietinha:
Gritarei por seu nome, Liberdade!
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