Perguntamo-nos
a todo o momento, há realmente diferença de sexo? No dia oito de março de 2011
foi completado o centenário do Dia Internacional da mulher, em um contexto
histórico de diferenças tão exacerbadas que vem sim, passando com muito
sofrimento e orgulho por tantos obstáculos, mas muitas pessoas se esquecem do
que as mulheres tiveram de passar para conseguir que a lei fique o seu favor.
Cada lagrima caída e cada grito desesperado pelo mínimo direito humano e não
como um ser objeto.
No século XVIII e XIX, com a Revolução
Industrial, as fábricas pediam mais funcionários para dar conta da grande
demanda de produtos, e para isso não teria alternativa a não ser inserir as
mulheres no trabalho, pela mesma jornada e ganhando drasticamente menos do que
o homem. Além da péssima condição de anti humana nos ambientes fabris, os
acidentes ocorridos principalmente com mulheres e seus filhos eram severos e às
vezes, mortais.
Juntamente com essa ebulição de mudanças, foram
emergindo vários grupos feministas na França cujo principal objetivo era a
libertação dos padrões opressores que tinha como base o diferença de gênero,
além da luta pelo direito do aborto, reprodutivos, trabalhistas, enfim, por
qualquer forma de discriminação.
Todas lutadores assíduas foram de extrema
importância para o sucesso dessa revolução, pois, por menor que seja a mudança
alcançada é de extrema importância dada o tamanho do preconceito sofrido. Mas
algumas merecem maior destaque, como Simone de Beauvoir, francesa, filósofa
existencialista, escritora (“O segundo sexo”). Mas, acima de tudo umas das mais
importantes feministas do século passado, dona de uma das frases de grande
fonte de inspiração como, “É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância
que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma
independência concreta” e “Não se nasce mulher: torna-se”.
Depois de tanto aclamar, a conquista do
Direito Universal Humano, adotado em 1948 foi notória. Feita pela ONU (Organização
das Nações Unidas) garantia direitos iguais a todos os humanos, independente de
sexo. A partir daquele momento, a lei estaria ao seu favor. Com o tempo foram
surgindo outras leis que garantiam a sua sobrevivência nessa selva machista que
é a sociedade atual. A última lei feita no Brasil foi a Lei Maria da Penha,
sancionada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, que consistia
na maior punição para crimes de violência contra a mulher.
Mesmo com toda essa movimentação entre as
mulheres e simpatizantes pela causa, há muito que ser mudado. A diferença
salarial entre os gêneros ainda perpetua e assustadoramente é grande. O Brasil
é o país que possui a maior diferença com 34% de variação entre ambos os
gêneros, sendo que mulheres pelo mesmo serviço ganham 22% menos do que os
homens. Quanto maior o grau de instrução, maior é a diferença salarial
entre homens e mulheres, deixando cada vez mais evidenciado que é necessário
tomar atitudes drásticas, pois, comprovadoramente a mulher possui maior
rendimento do que o homem, além de conseguir atuar em varias ações ao mesmo
tempo, sendo mais proveitoso para a empresa em questão.
Aumenta o preconceito quando
falamos de diferença entre etnias, o afro descendente já sofre discriminação
diariamente no seu ambiente de trabalho. Juntando isso
com o preconceito machista sobre a mulher, a afro descendente está sujeita a
maior diferença não só salarial, mas também é alvo de severas humilhações
em muitos ambientes onde ela vai, tendo que provar sua capacidade intelectual
de atuação em qualquer área que ela deseja, tendo que possuir sempre algum
“diploma” ou “mérito” a mais do que o homem, ou até a mulher branca chegando a
ganhar a terrível realidade brasileira de 67% menos do que os homens.
Hoje, podemos notar preconceito até na
palavra “presidente”, se existe prefeita e prefeito, vereadora e vereador, por
que não haver “presidenta”? A língua brasileira é flexível e houve várias
mudanças com o tempo, então porque não começar com pequenas grandes mudanças
como esta? Sim, é devido a nossa sociedade machista e elitista que não
imaginaria que não só uma mulher sozinha fosse capaz de comandar um país
inteiro, mas como onze até neste momento. Começou com a Argentina María Estela
Martínez de Perón. No Brasil, neste ano houve a ascensão da primeira presidenta,
a petista Dilma Roussef.
O Brasil se
diz um país democrático mas, as contradições e injustiças são tão grandes que é
difícil acreditar em tal verdade. Aniquilando a raiz deste problema, os
paradigmas ditados há muito tempo ainda perpetuam nessa sociedade como vamos
poder viver em um mundo melhor? Muito foi mudado, mas ainda temos um caminho
árduo pela frente até que a igualdade total seja alcançada, sem exceções para
qualquer indivíduo, pois, mesmo que seja difícil cada lágrima que cai desses
rostos revolucionários há sempre uma esperança de um mundo mais
igualitário.
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